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No filme “Uma Mente Brilhante” (“A Beatiful Mind”) sobre a vida do Matemático Americano John Forbes Nash, Russell Crowe interpreta o papel de um homem acometido por esquizofrenia, e que apenas sobreviveu em condições mínimas de trabalho e produtividade em razão de ter confiado no amor de sua mulher Alcia Nash.
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Na entrega do “Oscar” ambos aparecem juntos conforme mostra o link abaixo:


http://video.aol.com/video-detail/john-e-alcia-nesh-ah-e-e-o-nobel/455168281

Entretanto, o que me leva a evocar a memória do filme (2001) é o fato simples e poderoso que ele apresenta: a mente precisa de aferidores externos a fim de encontrar sua saúde e equilíbrio.

John Nash, brilhante, superdotado, venturoso em tudo o que fazia, subitamente começou a entrar num mundo paralelo tão real quanto tudo o mais que ele chamasse de real, com a diferença de que somente ele via o que via, e, portanto, tratava-se de algo subjetivo e não real para o resto do mundo.

Sua salvação não da esquizofrenia, mas sim da “loucura”, só foi possível porque ele admitiu a esquizofrenia, entregando suas decisões sobre o que era ou não real entre as coisas que via, ao julgamento de sua esposa.

Assim, confiando no juízo e no discernimento da esposa, e, sobretudo no seu amor por ele, foi que Nesh conseguiu viver com a esquizofrenia sem enlouquecer.

De vez em quando ele tinha de perguntar à sua mulher se as pessoas que estavam diante dele eram reais ou apenas subjetivas em sua percepção, e, assim, conseguiu, mediante a fé no amor de sua mulher, encontrar o termo de aferimento de sua própria realidade.

Esquizofrênicos de um grau ou outro, todos nós somos. Pode-se até não ver coisas ou ouvir vozes, porém, o elemento de falsificação do real habita as mentes de todos nós.

Sim! Nossas mentes são desconfiadas e cheias de impressões falsificadas.

Pensamos coisas sobre os outros que não são reais e interpretamos a vida com critérios de uma subjetividade que raramente casa com os fatos reais da existência.

É assim que o tímido é visto como arrogante silencioso, o falante é percebido como metido, o quieto é olhado como fraco, o prestativo enxergado como interesseiro, o recluso como anti-social, o triste como infeliz, o belo como bom, o feio como mal e o simples como tolo.

De fato quem se entrega à sua própria “disposição mental”, diz Paulo, acaba enlouquecendo dentro do padrão social aceitável da loucura, mas nem por isto fica livre de ver, ouvir, pensar e interpretar de modo equivocado a vida e o próximo.

Para Paulo, entretanto, o aferimento da realidade deveria ser feito de modo existencial pela Palavra.

Isto porque sem a Rocha da Realidade que é a Palavra Revelada, todos nós de um modo ou outro vivemos em “viagens”.

O outro está louco e viajante em suas percepções sobre nós; e nos vê, ouve e julga por tais subjetividades; e, assim, provoca em nós uma outra falsificação: a do modo como o outro no vê; e a cuja percepção equivocada nós determinamos enfrentar, fazendo com que nossa própria mente caia imediatamente em outro terreno de subjetividade que afetará daí em diante a nossa própria percepção do outro e de nós mesmos, pondo-nos numa vereda de ilusão.

Quando Jesus mandou que não julgássemos Ele estava dizendo que o juízo equivocado (como quase sempre é em parte ou no todo) passa a ser o critério de nossa mente. Por isso é que com a medida com a qual medimos somos também medidos.

Todos os dias vejo como tais estados se tornam padrões inquestionáveis e fixos. E como a maioria não tem uma Alicia Nesh a fim de confiar e encontrar o termo da realidade, as pessoas vão engessando o padrão da interpretação enganada como realidade.

A salvação de John Nash esteve e está no fato de ele confiar no amor de sua mulher por ele, e, assim, conferir com ela o que era ou não real.

Ora, no que tange a Palavra como referenciadora do que seja ou não real conforme Deus para nós, seu poder de cura e equilíbrio para a mente vem da fé, assim como aconteceu com Nesh.

Sim! Se eu não me disponho a crer no amor de Deus por mim, e se não me ponho na estrada da fé que confia em Seu amor revelado em Cristo, conforme o Evangelho, e se não me entrego a tal realidade pela fé, fazendo aquietarem-se as minhas próprias impressões e juízos — sem dúvida eu e você ficamos loucos ou com a mente falsificada em suas apreensões da realidade.

Portanto, hoje, verifique quais são suas certezas sobre a vida e as pessoas, e veja se elas conferem com o que a Palavra diz.

É a fé na Palavra aquilo que pode me salvar de minhas próprias construções e miragens.

No entanto, ter gente de bom senso e de confiança, e que nos ame, sempre sendo consultados sobre nossas próprias impressões, é algo vital para a saúde de nossas mentes.

Fé e amor continuam a ser os únicos elementos capazes de preservar a integridade de nossas mentes num mundo de falsificações e de construções alucinadas.

Pense nisso!

Caio

10/01/08 – Dia em que meu filho Lukas estaria fazendo 26 anos de idade.

Lago Norte

Brasília

DF

Fonte: caiofabio.com

Beleza brasileira.

Constrangido, assisti ao filme “Beleza Americana”. Durante toda a sessão, fui tomado pelo que se poderia chamar de “vergonha alheia”. Corei com a hipocrisia moral, a obsessão pelo sucesso e a disfuncionalidade familiar da sociedade americana. Constrangido, saí do cinema com um pontapé na boca do estômago.

Entretanto, o filme retrata um instante lindo. O adolescente viciado em maconha que trafica é obcecado por gravar imagens do cotidiano. Numa dessas filmagens ele capta um saco de lixo bailando ao vento e se deslumbra com aquela rara beleza. Só no final do filme, percebemos que o rapaz tinha um mínimo de coerência, já que só ele era sensível ao belo.

Há alguns meses, penso como seria a versão brasileira daquele filme. Começaria por denunciar as grandes hipocrisias nacionais tais como: a negação do racismo, a afirmação cínica de que somos um povo cordial, o desvairado sonho de nos tornarmos um “país do primeiro mundo”, a anacrônica vaidade de ainda possuirmos os mais verdes bosques do planeta. Nos últimos trinta anos, todo esse patriotismo vem ruindo diante do nosso olhar espantado.

A “Beleza Brasileira” vem sendo suplantada pelas penitenciárias desumanas, onde se depositam negros e pobres. As favelas cresceram e tornaram-se mais violentas, incubadoras da criminalidade. A Amazônia, gradativamente dizimada pela sanha comercial, arrefeceu com a poesia do hino que exalta o verde louro da flâmula. Todo rio, lago ou canal que banha alguma grande cidade está poluído; a baia da Guanabara, cartão-postal carioca, cheira mal.

O desemprego tornou-se endêmico. Nas emergências, os médicos precisam optar pelos doentes com uma mínima possibilidade de serem curados para deixarem os outros morrendo nos corredores. As estradas, verdadeiras armadilhas para a morte, continuam esburacadas. Viajar constitui-se em um tormento no Brasil.

Contudo, nesse cenário triste, o desafio é encontrar beleza. Se o rapaz do filme americano se encantou com um saco que bailava no ar, procuro me apaixonar por expressões de formosura latentes ao meu redor.

Existe beleza na persistência do operário que acorda de madrugada e pega o trem suburbano para bater o ponto às sete da manhã. Seu rosto, embora magro, revela obstinação; ele acredita que seus filhos terão um futuro diferente do seu. As boas maneiras da empregada doméstica que vive no barracão e serve no apartamento chique têm um quê de virtuoso. Emociono-me com o peão da construção que, de paletó e gravata, se transforma num eloqüente tribuno ao anunciar as alvíssaras do evangelho.

Existe beleza no trabalho voluntário dos leprosários, das enfermarias onde indigentes esperam que a morte os liberte do sofrimento, das clínicas de reabilitação onde crianças portadoras de deficiências aprendem a andar. Emociono-me até as lágrimas quando sei que algum coral cantou num centro geriátrico.

Existe beleza nos monturos de lixo, nos cortiços que se equilibram sobre córregos fétidos, nas escolas públicas rurais, no barco que desafia o vasto oceano. Basta ter olhos para ver as crianças jogando futebol em campos improvisados, ouvidos para escutar as conversas dos pescadores depois que puxam suas redes e coração para acompanhar o bê-á-bá da professora com seus alunos.

Precisamos ser invadidos pela beleza, cativados pelo inefável e dominados pelo sublime. Talvez, essa seja a última esperança da civilização: deixar que o belo encharque a nossa alma.

Há algum tempo, procuro tornar-me um garimpeiro dessas pepitas que sobraram do Éden, para descobrir o aceno do divino que habita nas pessoas e nos lugares o tempo todo.

Quando Deus contemplou sua criação e suspirou que era bom, notei que ele gosta de apreciar o branco dos lírios, o azul do céu e o negro da noite. Consigo também imaginar sua expressão quando afirmou que era tudo “muito bom”. Sei que ele celebra quando vê amigos se abraçando e fica muito feliz quando um jovem faz serenata para sua amada. Pelos relatos bíblicos sei que o Senhor gosta de poesia e de banquetes.

Em julho, chorei com a tragédia do avião que caiu em São Paulo. Sofri quando li as histórias das vidas ceifadas bruscamente. Lamentei pelos que sobraram em seus lutos. Chegaram a me oferecer fotografias dos corpos mutilados, mas recusei. Preferi concentrar meu olhar nos bombeiros que trabalhavam incansavelmente e nos médicos que se apressaram para salvar alguma vida.

Proponho que recuperemos nossa capacidade de celebrar alguns mínimos sinais de beleza, mesmo diante de uma realidade tão crua. Estou certo que testemunharemos muitos milagres.

Soli Deo Gloria.

Fonte: Ricardo Gondin

“TROPA DE ELITE” MUITO BURRA

O escrevo a seguir não será entendido hoje por mais de 90% dos meus leitores. De fato alguns são leitores, mas muitos ainda são Lei-tores. Entretanto, em alguns anos todos me compreenderão. Mas o preço hoje é a solidão.

Deixando para além da dúvida para os mal intencionados:

Sou contra as drogas, mas sou mais contra ainda aos meios de seu combate e às motivações de seu combate!

Portanto, apenas suponha:

“De hoje em diante Cerveja e Vinho são drogas” — decretam as autoridades.

Até mesmo vinho de ceia; até mesmo o suco da uva! Tudo está proibido!

Tomar a ceia com vinho ou seus derivados seria crime e ilegalidade em tal caso. A ceia seria uma contravenção.

Sim! De um dia para o outro; assim como foi quando bebida alcoólica era droga nos Estados Unidos e deixou de ser com uma Canetada legal.

Por quê?

Ora, em ambos os casos, tanto para tornar crime quanto para descriminar [na época da Lei Seca], aconteceu apenas em razão da Moral das elites e que é sempre o resultado de seus interesses, sejam econômicos ou apenas uma decisão segregatória — conforme aconteceu na América.

Sim! Tais leis [tipo a Lei Seca] acontecem apenas em razão da Moral, a qual, pela legalidade, se torna mais Moral ainda, e, portanto, cada vez mais legal…

Assim, bons lobbies e uma boa dose de Moralidade elitista, e qualquer coisa desinteressante para essa Moral passa a ser ilegal e vice versa.

Afinal, sempre se substitui uma Moral por outra Moral do modo mais irracional possível.

Isto é também parte do “curso deste mundo”, conforme Paulo.

Algodão já foi a “droga das roupas” por uma convenção americana, de natureza protecionista de seu mercado; posto que, não podendo competir com o algodão indiano, declarou-o ilegal nos States; e quem o comprava ou vendia algodão ia pra cadeia como um “traficante”.

Por quê?

Ora, é que a lã americana não podia competir com os tecidos de algodão da Índia [isto no início do século passado]. Desse modo o remédio era fazer algodão ser algo ilegal.

Apenas uma Canetada e o algodão virou droga.

Apenas a título de ilustração e jamais de apologia:

Até a década de 30 era permitido fumar maconha nos Estados Unidos. Fumava-se abertamente em todas as festas da elite em Nova York [na Europa Vitoriana também; e depois... do mesmo modo até o fim da II Guerra]. Mas como nos Estados Unidos [nova potencial mundial] surgiu a discriminação aos negros, e eram eles [os negros] que plantavam a maconha no campo e vendiam aos brancos, do dia para a noite, por força da perseguição racial, a plantação passou a ser crime.

E como todo crime que só é crime se for por decreto, a tendência, em tal caso, é fazer crescer o “proibido”; então o consumo cresceu na América e no mundo…

Para se compreender minimamente o que tento aqui expressar, é importante afirmar que existe diferença entre os mandamentos da Lei de Deus e os mandamentos das leis dos homens.

O ladrão que morria ao lado de Jesus pagou legalmente pelo que seus atos mereciam, embora, pelo arrependimento, tenha ido de condenado pelos homens a perdoado por Jesus direto para o Paraíso.

No caso de tal “malfeitor”, deu-se a César o que era de César [a lei e a ordem] e deu-se a Deus o que a Deus pertencia: o homem.

No caso em questão, provavelmente o “malfeitor” pagasse por crimes mesmo [morte, roubo ou qualquer delito real contra o próximo], e não por convenções meramente circunstanciais ou fruto de caprichos de uma elite.

Entretanto, no caso do “ladrão ao lado de Jesus”, ficou estabelecida a distinção entre a Lei operando socialmente para proteger os homens daqueles que são malfeitores, e, a possibilidade de que o condenado, mesmo pagando o que deve, o pague aos homens embora já esteja perdoado pelo Pai.

A Lei de Deus não salva ninguém espiritualmente [pois, por obras da Lei ninguém é justificado diante de Deus], mas sem ela a sociedade humana entra em caos total.

Sem honra aos pais as gerações apodrecem…

Sob o homicídio toda sociedade se torna diabo…

Sob a mentira, a falsificação, o estelionato e a falsa testemunha, toda sociedade já não sabe mais nada acerca da realidade… e serve à fantasia…

Sob o adultério, a traição e o engano, toda sociedade perece no desamor familiar e estende tal desamor para o todo da vida; pois, quem não ama o seus, a quem amará?…

Sob o roubo, o furto e a corrupção, toda sociedade se torna perversa e bandida; e a nossa é a prova cabal de que sendo assim tal processo é irreversível…

Os quatro primeiros mandamentos da Lei de Deus não têm aplicabilidade social exceto numa Teocracia [o que nada tem a ver com o Reino de Deus, que no coração]; e o último, “não cobiçarás”, pode apenas ser avaliado no próprio coração do cobiçoso.

Entretanto, dos mandamentos de Deus que são leis consensuais em praticamente todas as sociedades humanas, no Brasil quase nenhum deles carrega qualquer significado Moral atual; não para a elite…

Sim! Cada mandamento foi escrito como sendo algo que não se devia fazer “contra o próximo”. Entre nós, todavia, tudo isso perdeu o sentido… O que se tem que fazer é aprender a praticar sem que se seja flagrado…

O país é vitima de um monte de leis morais re-enforçadas pelas elites [mídia e formadores de opinião] e pelo sistema político, legal e policial; e tais leis e seus executores geram os piores males da nação; males piores do que “aquilo” que pelo uso de tais leis se pretende combater.

Se alguém soma o que se perde na corrupção governamental e legal [Executivo, Legislativo e Judiciário] e mais o que se gasta na repressão aos crimes de Canetada, e que são caprichos Morais — e se a tais somas se adiciona o imponderável: a perda de milhares e milhares de vidas humanas; e mais: o decreto de morte ou semi-morte aos órfãos e parentes de tais “vitimas” — logo se vê, pela soma de tais índices, que se gasta infinitamente mais em razão deles, do que qualquer que seja o significado do mal que o objeto reprimido possa causar em si mesmo à sociedade.

O drama que o filme Tropa de Elite nos apresenta é a expressão de um espírito suicida, burro, diabolicamente imbecil, e satanicamente homicida, o qual se torna guerra de decreto, sem que a ela corresponda nenhuma causa pela qual se deva guerrear.

Durante anos importantes no desenvolvimento do atual fenômeno narrado parcialmente no filme Tropa de Elite — vi para além de qualquer dúvida que pudesse depois restar em mim, que a guerra é de Caneta, e que seu gênio é a Moral das elites hipócritas, em razão de que o que se combate só se passou a combater por um preconceito racial americano, tornado lei mundial pelo poder econômico e militar da América Pós-Guerra; e que se tornou lei a ser cumprida por todas as nações “civilizadas” da terra.

Entretanto, antes de 1930 [e alguma coisa], não era assim nem mesmo na América do Norte, tendo se tornado isso em razão da perseguição aos negros — o que, pela alienação histórica, vai se projetando de geração a geração como se fosse mandamento divino…

O filme retrata a idiotice animada pelo inferno e que entre nós se tornou um câncer com metástase no corpo inteiro.

O que se gasta de energia, sangue, vidas e dinheiro para combater aquilo que foi condenado pela lei da Canetada [bem como o dinheiro que se desvia dentro do processo e fora dele como corrupção], não vale nem de longe a guerra imbecil que se propõe combater até a morte aquilo que mata menos do que a repressão feita em nome da vida e da ordem, a qual não apenas mata muito e muito, mas corrompe ainda mais…

E quem já viveu ali…, olhando de dentro da Polícia, apalpando seus intestinos; bem como vendo a partir do Estado, compondo seus quadros de avaliação do sistema; entrando em todo o sistema prisional e fazendo relações com os apenados e suas famílias; subindo os morros e favelas, entrando nas casas dos trabalhadores bem como na dos membros do “movimento” — sim! olhando a situação por várias perspectivas, e percebendo que seus tentáculos se esticam aos mais elevados níveis de poder; e mais: sabendo da história da proibição que hoje, sem se auto-explicar, tornou-se um Axioma Legal — não se tem como não dizer: TUDO ISSO É LOUCURA!

Segundo o filme, alguém bom tem que sofrer a lavagem cerebral do ódio a fim de poder ser o substituto de alguém bom que tem que viver como mal a fim de sobreviver até achar alguém que entre no processo para substituí-lo…

E para que isto aconteça a pessoa tem que se convencer que é mais importante salvar a Polícia para coibir o uso de qualquer que seja o produto ilícito, do que perguntar se aquilo tudo faz sentido.

“Ordem dada é ordem cumprida” — repete o policial corrupto e indiferente.

Assim, o filme da moda, o Tropa de Elite, foi visto por mim num ato de contravenção, mediante uma cópia pirata, e, de tal ilícito é que me arvoro a escrever sobre a proliferação do ilícito irracional, o qual, não é Lei de Deus, e não trabalha na direção dela, pois, para que alguém não se mate por vontade própria [o que é lícito; pois, não se diz “não te suicidarás”, mas sim “não matarás”] — mata-se muito mais do que os próprios suicidas dependentes de drogas químicas conseguem se matar; fazendo “eles” assim com que o remédio para matar barata seja uma bomba atômica; que não mata a barata, mas destrói tudo à sua volta; conforme se vê na insana luta contra as “drogas escolhidas” pela elite Moral para serem as “proibidas”, embora os proibidores consumam mais que todos os outros homens aquilo por eles “proibido”; enquanto financiam e demandam a morte daqueles que são seus “fornecedores”; os quais, para continuar fornecendo o ilícito têm que se armar até os dentes a fim de enfrentar a Polícia; a qual, usa tais “atravessadores ilegais” como os sustentadores do negócio policial da corrupção, na mesma medida em que a própria Polícia também se envolve com tudo mais que diga respeito à exacerbação do processo, criando um monstro que se alimenta de sua própria morte. De modo que quanto mais mata, à semelhança de um vampiro, mais se fortalece no espírito do ódio e da morte.

Ou seja: tudo isso é o diabo!

Indagado sobre isto por fariseus contemporâneos, Jesus diria: “Vocês sempre coam o mosquito e engolem o camelo!”.

Todo esse sistema tem sua cabeça no intestino grosso de um Estado sem consciência, e que importa Dejeto Legal como ouro Moral, apenas para passar por “civilizado” ante as elites suicidas e preconceituosas da Roma Moderna: a América do Norte.

Sim! É mais ridículo do que Corintiano matando pelo resultado do jogo de seu time.

Somente os cegados pela Moral burra e pelo preconceito, não enxergam que essa guerra é de Caneta, mas que as armas são de morte. E mais: que ela jamais terá fim; e cada vez mais será a Droga maior enquanto diz nos defender das drogas.

Se o Governo Brasileiro não tiver a coragem de tomar uma posição inteligente frente ao mal maior que se cria combatendo os inegáveis males das drogas pela via de um mal maior, apenas contaremos nossa história rumo ao abismo.

Isto não é profecia, é fato!

Somente a consciência pode parar o consumo de qualquer coisa, pois, não existe Lei contra o desejo de fugir ou de morrer. E essa é a pulsão que fomenta o uso de qualquer alterador de consciência; seja o álcool, seja a maconha, seja o pó e seus derivados diabólicos, ou sejam as drogas tarja preta, igualmente danosas e viciantes.

Esta é minha opinião, já expressa outras vezes neste site. Quem não concordar espere mais dez anos e releia o que escrevo hoje; e, antes de hoje, em centenas de textos desde 1992.

Nele, em Quem julgo falar com sensatez pela Vida, e isto em um mundo caído no qual quase sempre o melhor é apenas o menos ruim,

Caio

Um feedback

From: SOU POLICIAL E CONCORDO!

Acho que a pessoa que reproduz este sistema está na verdade vivendo seu inferno pessoal e querendo se justificar como boas ou espertas.

Tentam “curar” o próprio mal comendo fezes.

Se é que querem curar alguma coisa…

Acontece que se encarar frente-a-frente no espelho e admitir que é fraco, inseguro, mal amado, bobo, interesseiro, vingativo e que nada sabe — dói demais…

Assim, elabora-se um sistema de justificativa pessoal maligno para, no fundo, achar que se superou como pessoa, que consegue ganhar $inheiro, etc.

Mas o buraco só aumenta…

Essa análise é baseada em fatos reais-pessoais.

[8 anos de PM do DF e 2 anos na PMERJ]

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Resposta:

Amado amigo e irmão no Reino que é sobre toda Potestade: Graça e Paz!

Paulo nos diz em Romanos 13 que quando a autoridade é boa e promove o bem comum, ela é ministro de Deus, tanto para facilitar a vida, como também para tirar da sociedade os que existem contra o bem comum. Nesse caso, a autoridade tem que ser justa e imparcial a fim de ser ministro de Deus entre os homens. Neste caso, diz Paulo: “… faze o bem e dela terás louvor, faze o mal e terás a espada…”.

Entretanto, quando a autoridade se farda de oficialidade a fim de oprimir, expropriar, usar, abusar, tiranizar, matar e manter o povo em dependência e cativeiro [não importando a natureza do cativeiro], João nos diz no livro do Apocalipse [capítulo 13] que ela [a autoridade] se torna uma besta, o monstro que devora os homens e todo o fruto de seu trabalho.

Assim, a autoridade pode ser ministro de Deus ou a Besta do Inferno, dependendo de como ela procede. No 1º caso deve-se submeter à autoridade, mas no 2º caso se deve enfrentá-la.

Só não vê que o sistema que nos cerca [não apenas no Mundo, mas no País] é uma Grande Besta do Mal, aquele que faça tão profundamente parte da manutenção da perversidade implantada, que já não consiga ver a vida senão a partir do olhar do inferno.

De fato, estamos falando de uma Potestade espiritual. Sim! O sistema de Legislação, de Execução, de Repressão, e de morte, do lado da Polícia [que cumpre o papel final de Gourmet de excremento social]; e, de outro lado, o comercio da ilegalidade feita pelos traficantes e seus comandados, são o corpo objetivo desse drama. Entretanto, sobre ambos os lados existem os agentes de animação do fenômeno, a saber: os usuários, os meios de divulgação, os formadores de opinião, e os seres discursivos moralistas — essas forças, somadas, formam essa Besta, a qual, entre nós, na questão da violência relacionada ao tema do filme “Tropa de Elite”, tem a fisionomia que possui.

O moralismo católico e hoje também o evangélico [ambos são idênticos em quase tudo] impedem a discussão de qualquer tema que relativize dogmas morais.

Ora, acima desse poderes locais há ainda o Lobby Protestante que garante boa parte das políticas Americanas tanto de repressão como também de guerra à volta do globo desde o fim da 2ª Guerra — as quais dão as referências policiais para a nossa máquina de repressão.

Ora, na perspectiva da “religião moral” tudo o que seja acordo moral é dogma divino. E como a “religião” não se melhora em nada, mas prega que tem o poder de mudar o mundo e reorganizar a “Queda”, então, tudo o que não seja “ideal”, em razão de tal idéia deve ser imposto pela Lei; e, assim, como seria de se esperar, aumenta-se a compulsão do consumo do “proibido”.

A cegueira da “religião moral” faz a pessoa lutar pelo ideal enquanto vive no inferno, sem ter em si a idéia da Escalada.

Tal perspectiva deseja que o homem saia do caos [que os lutadores contra o caos não vencem nem mesmo em si próprios] para um patamar de perfeição da Nova Jerusalém por conta própria e subitamente [fruto de um pensamento “mágico”]; e, assim, impede o processo histórico e social que vai do inferno ao purgatório, do purgatório ao reformatório, do reformatório à liberdade assistida, da liberdade assistida à liberdade consciente; até que se chegue à maturidade social.

É o mesmo espírito que prefere não mandar usar camisinha, pois, se o fizer, supostamente está estimulando o “sexo fora do casamento”; e, em razão de tal silencio moral, abre o caminho para que o que seja feito [e sempre é], o seja sem cuidados e proteção. Por esta razão é que a hipocrisia que silencia temas da realidade é a maior promotora das desgraças que decorrem da ignorância e do desaviso.

Pelos contornos que vejo serem delineados à nossa volta, especialmente no que tange ao poder hipocrizante da religião, não vejo qualquer saída para o Brasil na questão da violência, pois, entre nós, já há muito que passou o tempo em que “repressões” poderiam coibir tais coisas.

Portanto, esse Brasil burro, passional e religioso que aí está, se drogará até a morte; e matará os que se drogam até que morram também os que matam; e apenas aumentará o problema pela tentativa louca de manter o Titanic flutuando em razão de que os crentes julgam que enfiando os dedos nos buracos do navio podem impedir o naufrágio.

A fim de melhorar uma sociedade caótica como a nossa, tem-se que começar do possível e não do impossível.

Ora, as leis de repressão de drogas em nosso país são tão burras quanto as leis comunistas que julgavam que poderiam gerar solidariedade por decreto.

Minha oração é que você encontre o caminho da justiça e da verdade nesse lugar no qual há muita gente boa vivendo ao lado de seres desalmados, como você bem sabe que hoje acontece aos montes na Polícia do Rio de Janeiro, e, de resto, em todo o país.

Receba meu beijo, carinho e orações!

Nele, que viu fé maior num centurião romano do que nos mestres da religião de Israel,

Caio

Fonte: CaioFabio.com

Veja também Amor líquido 4

O Filme do filme de João Moreira Salles
Thiago Camelo

Fonte Overmundo

“O tempo não tem consideração”. Um argentino com nome de capital sul-americana escreveu isso certa vez. Foi Santiago. Santiago Badariotti Merlo (para ser mais preciso) era um ser absolutamente fascinante, detentor de um conhecimento único sobre dinastias e aristocracias de todo o mundo. Aliás, a sua paixão era justamente escrever sobre as grandes famílias, aquelas que, para ele, tinham algo de especial, um quê divino, uma fantasia de castelos, riqueza, luxo e cultura. Porque o que tinha de mais caro era a sua cultura. Não escondia isso, dizia-se inclusive assustado e se perguntava por que nascera tão interessado em línguas, em música, em cinema, em tudo, quase. Podia variar do erudito ao prosaico num minuto, sabia tocar Beethoven (o que fazia questão de fazer vestindo um fraque – “É Beethoven”, dizia ele), mas não se furtava a apreciar com paixão uma luta de boxe. Santiago não falava português perfeitamente, mas também parecia já ter esquecido o espanhol. Dominava línguas praticamente mortas, que aprendera muito novo em suas leituras e viagens pelo mundo. Falava uma fala só dele. Dançava bem, rezava em latim, escrevia lindas poesias, enfim; claramente, um pessoa especial, um personagem digno de ser documentado.

Não à toa, João Moreira Salles (“Entreatos”), em 1992, decidiu filmar o mordomo de sua casa. O sujeito das memórias de sua infância, das brincadeiras das grandes festas, do piano noturno, das danças com castanholas. O diretor até então não era um dos mais conhecidos documentaristas nacionais. À época, era um jovem de 29 anos, que, de maior expressão, havia realizado apenas um programa de TV chamado “América”, uma espécie de investigação sobre o imaginário cultural norte-americano. João chamou uma amiga para ajudá-lo nas entrevistas e levou, com eles, o experiente fotógrafo Walter Carvalho. Foram todos ao apartamento de Santiago, que já não trabalhava mais na “Casa da Gávea” (o atual Instituto Moreira Salles). O homem já beirava os 80 anos, embora não aparentasse. O enquadramento rigoroso qual Yasujiro Ozu e as imagens em preto e branco dariam um tom de austeridade e respeito à sua figura. Durante cinco dias, João filmou nove horas de conversa. Teve tempo de perguntar o que quis, filmar à maneira que quis, colher os depoimentos que quis. No entanto, alguma coisa deu errado.

- Até hoje, é o único filme que comecei e não terminei – diz o diretor.

João não montou o filme e as imagens de Santiago ficaram intocadas até o ano passado, quando, acometido por uma crise pessoal e profissional, resolveu retornar às suas memórias de infância, à família, à casa e, conseqüentemente, ao mordomo. Reviu todo o material que registrara. Dessa vez, com a ajuda dos montadores Eduardo Escorel e Lívia Serpa, pretendia achar um caminho para, finalmente, organizar as imagens de Santiago, fazê-las filme. João conta que o começo foi complicado.

- O Escorel tem um talento que eu não tenho, o de olhar imagens soltas e dizer se aquilo dá filme ou não dá. A primeira vez que ele viu o material, ficou na dúvida.

É claro que Escorel ficou na dúvida. E só três meses de ilha de edição foram capazes de mostrar a João o que, agora, lhe parece óbvio – o filme nunca fora sobre Santiago. O que ele notou, ao rever 13 anos depois aquelas velhas imagens, o fez repensar todo o formato do documentário. Os fotogramas não contavam a história do seu mordomo. Nunca contaram. O que o cineasta pode perceber hoje lhe fugia à compreensão em 1992: para o filme existir, João precisaria se expor.

- Não tinha a noção de que, na verdade, não fiz um filme sobre Santiago, mas sobre a minha relação com ele. Não havia ali uma relação de documentarista e de documentado. Havia uma relação de patrão e mordomo, de, em última instância, chefe e criado.

Se é difícil de visualizar isso, imagine um sujeito postado em uma cadeira, no umbral de uma porta, pronto para começar o depoimento acerca dos anos mais felizes de sua vida. Equipe pronta, som, câmera, ação! O sujeito levanta a cabeça e começa a falar. Corta! “Santiago, você pode voltar com a cabeça ali. Começe a falar ainda com a cabeça encostada”. Ou, ainda: “Santiago, não reze desse jeito, reze com as mãos juntas”; “Santiago, antes de falar, pense na minha família”.

Pois foram com esses imperativos que João se deparou na ilha de edição. Quando os percebeu, descobriu o norte para o seu documentário. “Santiago” não seria um filme sobre Santiago, e sim sobre como o cineasta não entendeu o mordomo durante aqueles cinco dias, usando-se de artifícios de montagem, som e repetição para dizer o que bem desejasse.

- Nas entrevistas, não queria ouvir o que Santiago tinha a me dizer. Queria que ele dissesse o que eu queria ouvir, que ele se parecesse com o Santiago da minha infância, com o meu Santiago. Daí as ordens, os planos repetidos. Essa relação de patrão e empregado é também uma alegoria do que acontece em todo filme, entre o documentarista e o seu objeto. É preciso ter consciência disso, mesmo quando se filma o presidente, a palavra final sempre será de quem está com a câmera na mão.

Filme para poucos (?)

E o filme saiu. Está pronto, mas sem data definida para lançamento. Na verdade, João nem sabe ainda se deseja lançá-lo, acredita que é um filme para poucos. No final de novembro, o longa passou no Festival Nacional de Documentários de Amsterdã, e isso o cineasta cogita:

- Acho que é um filme para passar em mostras e festivais de documentário, de preferência os não competitivos.

Ele alega que tudo o que é visto na tela é muito pessoal e lhe falta certeza para afirmar se mais alguém se interessaria pela história de Santiago, dele – João – e de sua família (que, inevitavelmente, se misturam na tela). Também parece acreditar que as divagações sobre a realização de um documentário não falam para muita gente. O temor de João se justifica? Pergunta ingrata esta, porque é só assistindo ao filme que se pode chegar a alguma conclusão. Nos quase 75 minutos, o que se vê na tela é uma “aula” sobre os bastidores de um documentário e as artimanhas que um diretor pode realizar para conseguir o que entende como certo. Tudo perpassado por um off escrito por João, mas lido por seu irmão, Fernando. Aqui, a pergunta faz-se inevitável: por que o próprio diretor não narrou o filme?

- É porque tem de se desconfiar. Desconfiar de tudo. Fui eu quem escreveu, mas foi meu irmão quem leu. E aí, o que é verdade? Existe verdade? Eu não acredito. Para mim, cada vez mais, um documentário é sobre o encontro de duas pessoas. De quem documenta e de quem é documentado. O off do meu irmão serve como um grau a mais nesta questão de o que é verdadeiro e o que não é.

Não faltam cenas que explicitam esta dicotomia. O filme já começa assim: imagem se aproximando de um retrato, lentamente, música emocionante tocando, câmera se aproximando…. Entra off: “Este seria o primeiro plano do meu filme…”. O mais curioso é que o off surge quando – é o que diz quem estava na exibição – já se está envolvido com a cena. É um soco para fora da tela, como quem avisa: Viu como é fácil te emocionar? As autocríticas e auto-ironias continuam. Há a cena da folha caindo na piscina em sucessivos planos e o narrador entregando que por ali, provavelmente, havia uma mão ajudando o suposto vento e provocando aquele acaso. Afora, é claro, as imagens verdadeiramente constrangedoras de João dando ordens a Santiago, a ponto de o ex-empregado pedir “stop” quando o ex-chefe o pressiona demais.

- Eu tenho vergonha de muita coisa que falei no filme. Mas as coisas vergonhosas têm de estar lá para o filme valer – explica o documentarista.

Se o filme é uma “reflexão sobre o material bruto” (como é dito em um intertítulo), é também uma reflexão sobre o tempo, aquele da frase de Santiago que abre este texto, o tempo que “não tem consideração”. Porque é do tempo que se vale Santiago nos seus estudos de meio século e 30 mil páginas, sobre um passado aristocrata ainda presente no relógio do seu apartamento. E, sim, é do tempo que se vale João para fazer o documentário, um tempo não muito bem perdido, mas transcorrido em 13 anos e muitas mudanças.

- Se 13 anos se passam, você tem de incorporar a passagem do tempo. Na verdade, o que deu liga para o filme foram os 13 anos que ele ficou parado. Estranho seria se eu fizesse o mesmo filme que queria realizar em 1992. O que mudou no tempo? Mudei eu.

Não precisa conhecer João a fundo para perceber que ele mudou. Basta assistir às suas obras. O que se via em sua filmografia até “Santiago” era uma crescente preocupação em depurar e aplicar à sua maneira algumas regras de documentário ensinadas por grandes cineastas e ídolos por confissão, como Jean Rouch, Robert Drew e, o seu grande mentor, Eduardo Coutinho. Em “Entreatos”, seu último filme, João parece ter radicalizado na cartilha de dogmas de filmagem, daquilo que não se pode fazer em hipótese alguma enquanto a câmera roda e, mais tarde, na ilha de edição. No longa sobre a eleição de Lula em 2002, por exemplo, não havia imagens de cobertura, trilha, nada foi filmado duas vezes – tal ortodoxismo não era à toa – o diretor aprendeu com os anos que o documentário, além de tratar do objeto, deve pensar também o próprio fazer cinematográfico. Até aqui, ok, porque o que não falta a “Santiago” é preocupação com esse “pensar cinema”. Mas e quanto às outras regras? Off não era coisa do passado, de uma já ridicularizada escola inglesa de documentário, ancorada por Grieson e cia? E o que falar da trilha e das brincadeiras de edição?

- Quis fazer um filme sem ortodoxia. Quem realmente disse que não pode colocar trilha? Se acho uma música bonita, por que não posso colocar? O filme não tem imposição. Vale tudo! Acabaram as regras. Tudo o que eu tentei eliminar em “Entreatos” pus aqui. A única coisa que eu não queria era ser convencional. E isso, acho que consegui. Acho que o filme realmente apresenta alguma proposta nova.

Nova, não no sentido da espera que houve para o filme ficar pronto. Isso, o próprio Coutinho fizera no que João considera o melhor documentário brasileiro de todos os tempos, “Cabra marcado para morrer”. Outros cineastas têm também esta prática, como o lituano Jonas Mekas, que deixa seus negativos “descansarem” por uma ou mais décadas para depois revisitar o material com o olhar completamente diferente da data em que registrara as imagens. O que parece ser original aqui é mais a entrega generosa da imagem de si mesmo que João oferece ao espectador. Autocrítica que faz compreender muito sobre a relação do homem com o tempo. Faz lembrar, inclusive, o que disse certa vez Mário Peixoto (“Limite”) a Walter Salles, irmão de João, em analogia ao ponteiro de um relógio, que não conta “mais um segundo, mais um segundo, e sim, menos um segundo, menos um segundo”. Walter ficou tão impressionado com a frase que, na primeira oportunidade, colou-a na tela, em “Abril despedaçado”. Pois bem, Santiago, com o seu dizer dolorido – “o tempo não tem consideração” -, parece ser o Mário Peixoto de João.

- Sei que agora estou num beco sem saída. Fiz um filme diferente de tudo o que tinha feito. Mas, para o futuro, não posso fazer um outro “Santiago”. Não posso repetir a fórmula. Não sei o que fazer, mas tudo bem, mudei de profissão, agora faço jornalismo – afirma João, numa fala menos irônica do que pode aparentar, em referência ao seu mais novo projeto, a “Revista Piauí”.

Sentimento universal

É possível que as imagens de Santiago dançando e tocando castanholas falem mais para João do que para qualquer outra pessoa. Bem como os trejeitos, o modo de se mexer e a língua peculiar do argentino sejam compreendidos mais pelos Salles do que por qualquer outra família. De certo modo, o próprio diretor afirma isso quando diz que este é o filme em que menos se importa com a opinião das pessoas:

- É muito pessoal. Era um filme necessário. Eu precisava fazer.

Sim, é de se compreender a posição do cineasta. Ele se expõe, abre seu lar de toda infância e adolescência (João saiu da casa no começo dos seus 20 anos) e fala muito do dia-a-dia da sua família. Mas o ambíguo é que, ao se expor, João, talvez menos racionalmente do que possa imaginar, acaba jogando luz sobre um sentimento universal: mais uma vez, o medo da finitude. No filme, João faz analogia entre uma cena de Fred Astaire e Cyd Charisse dançando fortuitamente (de modo “lindo e gratuito”) após uma caminhada, em “A Roda da Fortuna”, e a nova fase da sua vida ao sair da “Casa da Gávea”. “Lindo e gratuito” parece ser a resposta mais adequada contra um tempo que passa sempre e continuamente. “Santiago” é profundo e poético em vários aspectos e de diferentes maneiras, mas aparenta guardar em si uma função central: a tentativa do diretor de compreender, de fazer as pazes com o tempo. Na prova maior de que olhar para trás vale a pena, o documentário é refeito por um novo viés, uma observação póstuma, que espera os planos correrem até onde a imagem escapou, até onde a fala terminou e, finalmente, sem as ordens de João, Santiago pôde relaxar: as expressões mais naturais do mordomo pulam à tela justamente no final de cada take, quando a entrevista havia sido encerrada. No filme, João justifica-se, desnecessária (uma vez que aquilo já estava claro na tela) porém compreensivelmente (tudo ali é muito pessoal), com uma frase do cineasta Werner Herzog: “O mais bonito é o que acontece depois de o plano terminar”.

***

É difícil julgar, porque o plano sempre termina, por mais que ele se prolongue, alguma hora alguém aperta o botão e a câmera pára. Nestes momentos, o que fica à memória é um Santiago que não era só empregado, um João que não era só patrão, num exercício de imaginação que transcende a tela e sugere – depois de 13 anos do encontro e com o filme montado – uma reflexão: na relação de João e Santiago, ao menos, o tempo teve consideração.

O filme Americano conta a estória de uma mulher que foi traída por seu marido e estava enfren-tando uma separação. Uma amiga, percebendo sua depressão, lhe dá de presente uma viagem para a Itália, na cidade de Toscana. Ao chegar lá, devido a vários ‘sinais’, a protagonista Fran-cisca resolve comprar um casarão antigo, gerando duas expectativas – confessadas ao corretor que se tornara seu amigo -: realizar um casamento e transformar o casarão abandonado em um lar, abrigando uma família.
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Devido à solidão e a falta de perspectiva de encontrar um sincero amor entregou-se ao desânimo. Porém, aparece na trama uma mulher – meio louca, que se torna sua amiga, e lhe dá vários con-selhos, e um deles é que volte à normalidade de sua vida, não pensando no futuro mais vivendo o presente. Acatando o conselho, Francisca se envolve com a reforma da sua nova moradia, crian-do laços de amizade com os trabalhadores contratados para tal serviço. Um certo dia percebe que o lustre da sala precisa de peças e vai ao centro da cidade à procura do material e lá encontra o Marcelo, um rapaz belíssimo, com quem acaba vivendo um lindo romance. Ao retornar para ca-sa, feliz e realizada, já tendo combinado um novo encontro para o final de semana, tudo lhe pa-rece que voltou aos eixos.
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No dia do reencontro, quando estava saindo de casa, recebe a visita de uma amiga, grávida – a mesma que lhe presenteara a viagem – que havia sido, também, abandonada. Então, decide ficar para apoiar a amiga, ficando à sua disposição até o nascimento do bebê, após alguns meses. Quando tudo parece está resolvido, decide ir ao encontro do seu amor; mas, para a sua surpresa, ele está com outra pessoa. Francisca volta arrasada para casa.
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Chegando, encontra outro problema. Um dos seus ajudantes, um jovem polonês, está vivendo um namoro proibido, pois os pais da namorada não aceitam o casamento dos dois por este não ser italiano, nem ter uma família. Irritada com a situação e por se ver envolvida a contragosto, pro-cura os pais da moça intercedendo pelo namoro, assumindo o rapaz como seu parente. Os pais cedem e marcam o casamento dos jovens.
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Francisca dispõe a sua casa para a realização do casamento e no dia, observando a alegria dos noivos e a felicidade da sua amiga com seu filhinho, percebe, após um comentário do seu amigo corretor, que havia realizado seus dois pedidos: sua casa ser palco de um casamento e abrigar uma família. Não era como esperava, ou havia pensado, porém, sentia muita paz interior. Reco-lheu-se a um canto do jardim e ficou meditando até que uma joaninha (que na trama simbolizava a realização de um desejo) é retirada do seu braço por um rapaz, que no futuro vem a ser o seu grande amor.
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Linda estória e, como 99,99% das mulheres, acabei com lágrimas nos olhos. Foi neste momento que lembrei da passagem bíblica da ressurreição da filha de Jairo.
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Este homem estava passando por maus momentos, doía-lhe à alma, pois sua filha de 12 anos estava à beira da morte. Procurou a ajuda de Jesus, aquele por quem sabia que realizava milagres “e lhe pediu aos prantos e com insistência: Minha filha pequena está a beira da morte! Vem, impõe tuas mãos sobre ela, para que seja curada e viva”. (Mc 5:23)
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Jesus atende e vai caminhando com Jairo para a sua residência, porém antes realiza a cura da mulher hemorrágica. Houve um período de tempo entre seguir o pai aflito e a sua chegada à casa dele. Neste espaço de tempo o quadro toma outro rumo, a criança não estava mais enferma, mas já havia falecido.
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O pedido do pai era que a sua filhinha fosse curada; não passara por sua cabeça o que ocorreria no final: ao invés da cura a ressurreição!
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Assim, como aconteceu com a Francisca e com o Jairo, também acontece conosco. Fazemos pe-didos a Deus achando sempre que é o melhor para nós; tola ilusão, pois este querer está na super-fície do nosso eu. Somos muito mais complexos e necessitamos de muito mais coisas do que imaginamos. Contudo, Jesus conhece a natureza humana, conforme nos afirma Tiago em sua carta afirma: “Pedis, e não recebeis, porque pedis mal.” (Tg 4:3).
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Jairo pedira a saúde de sua filha, porém, não enxergava que sofria de um mal maior: a increduli-dade. Por isso quando chegaram algumas pessoas da casa de Jairo informando que sua filha já estava morta, Jesus apenas disse: “Não temas, tão somente continue crendo!” (Mc 5:36)
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O pedido de Jairo iria ser atendido, ele teria a sua filha, sadia, de volta, precisava apenas crer que Jesus é Deus e confiar em seus desígnios. “Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o SENHOR.” (Is 55:8)
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A joaninha no braço de Francisca significava a realização da sua verdadeira necessidade; porém, antes, ela precisava aprender a perdoar, amar, viver. E quando finalmente descansou, seu sonho se realizou: conseguiu um grande amor.
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A joaninha para nós significa: Jesus Cristo. Quando finalmente descansarmos nEle crendo, apesar das aparências em contrário, nossos olhos são abertos, nossa fé solidificada e tudo o mais terá o seu curso normal.

Joseane Pires

O Cheiro do Ralo, que traz Selton Mello no papel de um personagem bizarro, é o nome do novo filme do mesmo diretor de Nina.

Infelizmente, devido possivelmente ao baixo orçamento, o filme conta apenas com 15 cópias para serem distribuídas por todo o país. E se digo infelizmente é porque trata-se de um grande filme a que muitos estarão privados até que, eventualmente, ele seja lançado em vídeo.

Mas, por outro lado, não se trata também de um filme para multidões. Afinal de contas, o personagem principal tem tudo para parecer antipático. Sórdido, egoísta, egocêntrico e bizarro, o personagem central teria tudo para despertar a antipatia do público. Entretanto, durante a maior parte do filme, o que se ouve são boas risadas.

Fruto de uma história bizarra, de uma cenografia atemporal, de uma boa trilha musical, e de uma interessante combinação entre tragédia e humor surge um filme essencialmente original.

O enredo mostra o processo de enlouquecimento de alguém que, para se estabelecer profissionalmente, teve que se tornar insensível. E como, diria um pensador russo, a insensibilidade é algo que, para fazer parte do ser humano, requer muita prática.

O personagem do filme a praticou e agora esse hábito parece ter se tornado numa segunda natureza, isto é, em algo que o modelou a sua maneira de pensar e de sentir. Acostumado, portanto, a comprar tudo aquilo que o satisfaz, ele não consegue mais se relacionar se não for dessa forma. Tudo, pra ele, tem que ser comprado a um valor que depois, a sua venda, lhe seja revertida em lucro.

Entretanto, paradoxalmente, essas cenas de avareza total são contrapostas a episódios no qual ele esbanja dinheiro com artefatos aparentemente inúteis e sem valor que, no entanto, lhe servem para preencher o vazio criado, talvez, por esta própria racionalidade cuja rigidez o conduz a momentos de desvario e a um processo de enlouquecimento original.

O enredo tem tudo para ser uma narrativa dramática e chocante. No entanto, o resultado foi uma obra de humor refinado. Mais do que isso, diria também que ele é a alegoria de um processo comum no qual as vezes entramos: praticantes de uma racionalidade e uma avareza diária, intercalada por um esbanjamento com coisas caras que nos entretem em finais de semana.

“Das coisas que eu perdi, as que mais sinto falta são aquelas que não existem; as que não são materiais e que não se pode comprar.”
Redigido de memória, esta fala do personagem é talvez a chave de acesso para compreensão de um filme que, segundo o modo de pensar do protagonista, custou pouco mas que pode nos acrescentar muito.

Jean Carlo Faustino – Sociologia / Unicamp

As pequenas crianças do filme não estão correndo nos parques, ou sendo embaladas nos balanços, ou brincando na piscina… as pequenas crianças do título estão aprisionadas em seus corpos de adultos. Se você não quer mais do mesmo, assista ao filme sem medo de ser feliz. Eu lhe asseguro: a reflexão que fica não é moralista, e é tão certeira que não tem como não mexer com você. Excelente!
Fabiane Secches (SP)

“Pecados Íntimos”, novo filme do talentoso Todd Field (de “Entre Quatro Paredes”, 2001), chega aos cinemas para incomodar. Mas, claro, quando se trata do questionador Field, este incômodo vem na melhor acepção da palavra.

O filme recebeu diversas indicações a diversas premiações: não apenas teve o reconhecimento do Globo de Ouro e BAFTA com indicações importantes, mas também do Sindicato das Mulheres Jornalistas da América, da Associação de Críticos de Nova York, de São Francisco e de Washington, assim como da Associação de Críticos Ingleses, além do “Satellite Awards” (premiação da imprensa internacional), entre muitos outros.

À premiação da Academia que se aproxima, o filme chega com três indicações ao Oscar: Melhor Atriz (Kate Winslet), Melhor Ator Coadjuvante (Jackie Earle Haley) e Melhor Roteiro Adaptado (de Todd Field e Tom Perrota, baseado em romance do próprio Perrota).

Embora possa se dizer que o filme escapa do formato cinematográfico tradicional, também é verdade que não é tão revolucionário assim em sua fórmula narrativa: “Pecados Íntimos” tem um inconfundível ar do premiado “Beleza Americana” (1999), do diretor inglês Sam Mendes.

Também há aqui o narrador onisciente em off, trazendo comentários sofisticados sobre os acontecimentos. E há a mesma ironia, o refinado senso de humor (negro), que paira sobre a crítica de costumes à hipocrisia da sociedade norte-americana, representada no filme por uma pacata e arborizada cidade de interior.

Então, ainda que o foco desta vez seja outro, a sua estética inegavelmente tem muito de “Beleza Americana”, e a referência de Field é mais do que apropriada para a história que o diretor deseja nos contar.

“Pecados Íntimos” originalmente se chama “Little Children”. A infeliz tradução para português faz perder uma grande pista sobre o que o filme é. Não, “Little Children” não é sobre os pecados íntimos, é sobre pequenas crianças. Pequenas grandes crianças, aliás.

O filme é essencialmente uma estória sobre pais e filhos. E se de novo poderíamos mencionar Sam Mendes aqui, já que em outro filme – “Estrada para Perdição” (2002) – passou também por este tema, é certo que, desta vez, a comparação (tanto de conteúdo como de forma) seria injusta. Field opta por um caminho completamente diverso, e ainda vai além.

Embora o universo infantil tradicional faça parte de toda narrativa, com playgrounds, brinquedos espalhados, carrinhos sendo empurrados, bebês embalados no colo e constantes referências às crianças de fato, não é sobre essas crianças que o filme deseja falar. Não. “Little Children” é sobre essas crianças grandes que conhecemos bem: os adultos da atual geração.

A sinopse mais detalhada ajuda a compreender: uma das personagens centrais, Sarah Pierce, é belamente interpretada pela inglesa Kate Winslet (do ótimo “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças”, 2004). Sarah é uma jovem adulta, casada com Richard (Gregg Edelman) e mãe de Lucy, uma linda e geniosa garotinha de três anos. Solitária desde que optou por deixar o trabalho para cuidar da filha, vive um casamento morno. Sarah até tenta se encaixar na vida de uma dona de casa comum, embora não tenha talento para isso. Inteligente e questionadora, sente-se um peixe fora d’água quando vai ao playground da vizinhança com Lucy e tem que conviver com outras mães tradicionais.

O que parece que vai ser apenas uma crítica de costumes ao casamento e à instituição familiar, depois transcende, o que é uma agradável surpresa para o espectador.

Pois bem. Freqüentam este mesmo playground, entre as mães usuais, o pai coruja Brad Adamson (Patrick Wilson, de “O Fantasma da Ópera”, 2004) com seu adorável filho Aaron, o que perturba as mulheres em volta, que suspiram por ele.

Brad é casado com Kathy (a belíssima Jennifer Connelly, de “Uma Mente Brilhante”, 2001) e é ela que ocupa o papel tradicional do homem da casa: enquanto Brad passa o dia solitário brincando com o filho em casa, no playground ou na piscina pública, Kathy passa o dia trabalhando como documentarista e sustenta toda família.

Brad e Sarah acabam por se aproximar e descobrir que entre eles há esse denominador comum, e depois de atraídos um pelo outro, usam a paternidade/maternidade como desculpa para encontros cada vez mais freqüentes.

Nesta mesma tranqüila cidade onde vivem, também está o perturbado Ronnie J. McGorvey (interpretado com talento por Jackie Earle Haley), um ex-prisioneiro que assediava crianças, exibindo-se para elas.

Ronnie vive solitário ao lado de May, sua mãe protetora (Phyllis Somerville), e é naturalmente temido por toda vizinhança. Logo no começo do filme, quando Ronnie é solto e uma reportagem a respeito é realizada na região, uma das mães aflitas diz que tê-lo morando em um local com tantas crianças é como ter um alcoólatra trabalhando em um bar: isso não acabaria bem.

Ronnie então é perseguido por todos, especialmente pelo ex-policial Larry Hedges (Noah Emmerich), o maior inconformado. Depois de ter sido afastado da Polícia após um tiroteio em um shopping que acabou mal, Larry está obcecado pela presença de Ronnie e quer garantir que um homem perigoso como ele jamais tenha paz o suficiente para abordar as crianças do local.

Pronto, o cenário da confusão está armado e “Pecados Íntimos” começa a entrelaçar as histórias e a aprofundar reflexões, com direito a citações de Madame Bovary e tudo o mais. Depois de descobrir que seu marido está envolvido com pornografia na internet, e não muito entusiasmada com seu casamento, Sarah acaba se envolvendo com Brad. Ele, por sua vez, está cansado de ser submisso à esposa e parece gostar de se sentir um homem novamente, e não apenas um pai.

Até aí, tudo bem: conseguimos compreender seus sentimentos e até nos solidarizamos com eles. No entanto, à medida que Field penetra nos relacionamentos, percebemos que não, não é uma bandeira a favor da rebeldia aos costumes, é mais que isso. É um filme sobre a dificuldade de aceitar a vida adulta com todas as suas ocupações e preocupações.

Percebemos que Sarah e Brad não conseguem se conformar com seus novos papéis, mas são completamente resignados quanto a buscar, efetivamente, outros papéis. O caso extraconjugal é o máximo de ousadia que se permitem, e achando que esta atitude desvela não somente o apetite sexual, mas, sobretudo, o apetite de mudança, nós nos surpreendemos, enfim, ao perceber que não passa de uma fuga quase adolescente – e que jamais poderá ir a lugar algum, a menos que eles se tornem, de uma vez, adultos.

Mas não pensem vocês que a mensagem é mastigada para o espectador. Não, não. Field constrói um filme aberto, que permite várias leituras, embora nos conduza todo o tempo através das entrelinhas para esta interpretação final: as pequenas crianças do título não são Lucy e Aaron, são Sarah e Brad, e mesmo Richard e Kathy.

E as pequenas crianças do filme não estão correndo nos parques, ou sendo embaladas nos balanços, ou brincando na piscina… as pequenas crianças do título estão aprisionadas em seus corpos de adultos, como Ronnie, e, talvez por esta razão, ele não consiga se sentir sexualmente atraído por pessoas de sua idade – e aí esteja a verdadeira causa do seu comportamento deturpado.

Admito: esta é a minha livre interpretação sobre Ronnie, e pode ser psicanalítica demais, mas faz todo o sentido se juntarmos as peças do quebra-cabeça que Field nos oferece, uma a uma. Desde o começo do filme, com a tomada da casa de May e Ronnie, com as estátuas de crianças enfeitando a sala, e os muitos relógios que se somam a elas. É o tempo correndo, a vida adulta chamando, mas o desejo da infância que aprisiona. Desejo de proteção, de zelo, de descompromisso e pureza.

Ronnie, do alto de seus cinqüenta anos, nunca lavou uma louça, diz May temendo pelo futuro de seu filho depois que ela morrer. Brad, apesar de ter se formado advogado, nunca é aprovado no exame da ordem e à noite, quando sai para estudar na biblioteca municipal, na verdade nunca chega a entrar. Fica apenas observando os adolescentes fazendo manobras com seus skates. Sarah está decepcionada com o marido, mas nunca busca uma conversa madura com ele e, apesar de fisicamente presente para Lucy, está completamente distante da filha, do seu papel de mãe.

Então Sarah, Brad, Kathy, Richard, Ronnie e Larry são as pequenas crianças. Nunca enfrentam seus problemas reais, sempre buscam alternativas infantis para escapar deles na ilusão de que estão sendo revolucionários. Quando Sarah chora e é consolada pela filha de três anos com um maduro “está tudo bem, mamãe”, os papéis completamente invertidos, a mensagem para mim já estava clara.

O clímax do filme acontece como um despertar. Primeiro, temos a sensação que podemos caminhar para um final trágico, como na referência de Madame Bovary. Então tememos pela vida de Sarah, de Brad e de Lucy. Mas, sem estragar o final do filme, posso assegurar: Field não estava interessado em chocar, ele estava interessado em incomodar. E é essa diferença que na maioria das vezes separa um mau de um bom filme.

Se “Pecados Íntimos” não é impecável, até suas imperfeições parecem ter sido premeditadas, de certo modo, para que o filme não fosse o que o filme não é. Para que a mensagem, ao final, não fosse tão amarradinha e óbvia. Para que o espectador se perdesse algumas vezes dentro da estória, e das subtramas da estória, e tenha a sensação de ter divagado mais do que o preciso, em uma sessão de mais de duas horas no cinema.

Mas sabe de uma coisa? A vida não é exatamente assim? Quando achamos que estamos na direção certa da compreensão e do auto-conhecimento, nós não aprendemos que ainda falta muito para se chegar lá? Em “Pecados Íntimos” acompanhamos a hesitação dos personagens e concordamos com eles algumas vezes, para depois, com uma visão mais ampla da estória, enfim discordar. Percorremos junto com os personagens a evolução dos seus dilemas até chegarmos a máxima que o resume: crescer dá trabalho.

Como já cantou Renato Russo: “você diz que seus pais não entendem, mas você não entende seus pais… são crianças como você… o que você vai ser quando você crescer…”.

Little Children, EUA, 2006. Direção de Todd Field. Roteiro de Todd Field e Tom Perrota. Com Kate Winslet, Patrick Wilson, Jackie Earle Haley, Jennifer Connelly, Noah Emmerich, Gregg Edelman, Phyllis Somerville, Helen Carey, Mary B. McCan e elenco. Duração 130 minutos. Site oficial: http://www.littlechildrenmovie.com/

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Babel

Em tempos de trágica fatalidade, como uma familia inteira queimada por dinheiro ou de uma criança arrastada até a morte por causa de um carro, Babel nos mostra o quanto o sofrimento é algo universal, como também a esperança. Num filme verdadeiramente globalizado, que mostra fraquezas e forças de culturas incomparáveis, o que fica no mesmo plano é a nossa humanidade com suas desgraças e esperanças.

Borboletas ainda batem asas na Amazônia e crateras se abrem em Sampa. Acasos? O roteiro babilônico é muito bem amarrado, e repleto de “acasos”. Um filme que extrapola Gênesis 11 – episódio de Babel – e mostra que embora ainda vivamos numa poliglota aldeia global, o bem e/ou o mal correm em todas as veias do mundo. Para alguns, nos banheiros todos somos iguais!

Enfim, se Deus joga dados com o Universo e nos intervalos saca dos fios de cabelos que caem, faça bem suas escolhas. Escolha bem o filme que vai assistir, o número certo do dado e até o shampoo que você vai usar a partir de agora, pois “desgraças e esperanças” são definições nossas. Mas, na Babel quem (se) entende? Assista.

Pablo Marcelo e Henderson Moret

Interessante, o trailer fala do texto bíblico sobre babel, confira

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Acabo de ver o filme “Vamos Falar de Sexo”, com Lian Neeson, e que retrata a vida do Dr. Alfred Charles Kinsey (June 23, 1894 – August 25, 1956), que era professor de entomologia e zoologia. Em 1947 Kinsey fundou o Institute for Sex Research na Universidade de Indiana – Bloomington.
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Sua pesquisa em sexualidade humana influenciou social e culturalmente os valores acerca da sexualidade nos Estados Unidos, especialmente nos anos 60, quando suas idéias foram importantes na chamada “Sexual Revolution”. Ele morreu de fraqueza cardíaca e pneumonia em 25 de agosto de 1956. O filme é bem feito, bem editado, e tem boa fotografia.
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No entanto, é psicologicamente importante, em razão de que revela como um homem criado sob o peso do Puritanismo Protestante, pôde ficar tão fixado (antitéticamente) no pólo oposto ao do pai; sendo, todavia, a repetição do próprio pai no nível de uma contraditória “ortodoxia-liberal”. Isto porque nada há mais próximo de um pólo psicológico do que o seu oposto. Passar de um lado para o outro só depende de uma pequena concessão. Ambos os pólos são inóspitos para a alma. Em sua obsessão por diminuir a ignorância perversa e moralista sobre sexo, Kinsey acaba por se tornar um ser profundamente adoecido; pondo-se ele mesmo numa enorme quantidade de “experiências práticas”, sexualmente falando; as quais, por vezes, envolveram a pratica de sexo e orgasmo em laboratório, não apenas tendo seus discípulos como praticantes, mas, por vezes, até mesmo as suas esposas.
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Na busca por pesquisar, Kinsey acaba por se revelar, e mostrar sua face extremamente semelhante a do próprio pai. Não é um filme inspirador, mas é revelador. E, além disso, revela como o caminho “politicamente correto” não tem o poder de pacificar a alma de nenhum ser libertino conforme as melhores etiquetas; e nem tampouco deixa de ser doença apenas porque se esconde sob as mascaras da pesquisa. Com isto, não me posiciono contra as pesquisas sobre sexualidade humana (Não! Não eu!), mas sim contra a tentativa de demonstrar que sexo é apenas atrito de órgãos genitais; posto que sexo não é alguma coisa, pois, num certo sentido, ele é também parte significativa do que se poderia chamar de “a coisa toda”.
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O filme é bom para revelar que nem o manto da ciência consegue dar isenção psicológica para a alma que parte para toda sorte de experiências sexuais, crente que o tema do interesse científico gera isenção na experiência, o que, de fato, jamais acontece; especialmente se a experiência se repetir com a mesma pessoa. Todavia, mesmo que não se repita o objeto da experiência, ainda assim, o acumulo delas sempre forma uma ‘pilha de camadas’ de natureza “paleonto-psicológico”, pois são os fosseis da alma que são expostos!
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Mas é bom que todo crente veja o que uma criação puritanamente tarada pode produzir numa alma humana; além de que vale ver a fim de que se discirna como nada há mais próximo da sensualidade do que o moralismo. Kinsey é um puritano às avessas na prática; porém idêntico na obsessão sexual do ponto de vista psicológico. É sempre assim: enquanto a Lei é escrita em Pedra na montanha, o povo se entrega à libertinagem. Esse é o padrão. E a própria Bíblia faz questão de dizer que mesmo o medo, o clangor de trombetas, o fogo, o terremoto, e todos os terrores inimagináveis, não são capazes de manter o povo equilibrado no pé da montanha enquanto a Lei é dada. Dois pólos: Lei no alto da Montanha, enquanto a Libertinagem corre solta, e até psicologicamente estimulada por medos e fobias. No alto do Horebe a Lei. No pé do Horebe a orgia. Kinsey que o diga! Caio Fabio
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retirado do site www.caiofabio.com

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