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Diferentemente de “Cidade de Deus” e “Carandiru”, este é um filme leve, despretensioso e bem-humorado. Ao menos, é o que a crítica tem dito deste filme cuja trama principal gira em torno de um jovem que precisa desesperadamente conseguir R$ 38,00 para se aproximar da menina da qual se enamorou.

Não se deixe desiludir pelo enredo! Filmes como “Filhos do Paraíso” já mostraram que por trás de um enredo aparentemente banal, existem histórias muito tocantes. Aliás, talvez exista um certo paralelo entre brasileiro “O Homem que Copiava” e o iraniano “Filhos do Paraíso” visto que ambos contam uma história muito bonita (as vezes beirando a fantasia) mas sem desligar-se da dura realidade das pessoas simples, ou seja, da grande maioria da população.

Talvez, mesmo, seja esse um dos principais fatores de sucesso dos filmes nacionais recentes porque, como se sabe, as salas de cinema brasileiras tem conseguido se manter, atualmente, graças à uma política de elitização. Assim, as grandes e belas salas de cinema, de hoje em dia, são viabilizadas porque o muito que os poucos pagam, pelos ingressos, vale financeiramente mais do que o pouco que muitos pagariam. Portanto, o sucesso de “O Homem que Copiava” explica-se, também, pelo fato de que pagamos
para ver, na tela, uma realidade social que não é a nossa e da qual o mundo tende a nos isolar socialmente – o que aplica-se também a: “Cidade de Deus”, “Central do Brasil”, “Carandiru”, etc.

Mas, por outro lado, existe uma parte da realidade do filme em questão que é também a nossa. Pois, assim como o protagonista do filme, já estivemos enamorados por alguém que não sabíamos bem como ganhar a sua atenção; também já tivemos um emprego que exigia (e pagava) muito menos do que nossa capacidade; e quem sabe até não tivemos (ou tenhamos ainda) um talento que não servia financeiramente para nada, senão para exercício de nossa transcendência. Mas, há ainda um último aspecto que nos liga indissoluvelmente ao “Homem que Copiava”: a dependência do dinheiro.

Um professor que tive ensinava que o que caracteriza uma pessoa pobre não é necessariamente a carência de determinados bens materiais mas, sim, a consciência da falta desses bens. Desta forma, eu me convenço de que sou pobre não porque você tem alguns reais e eu não mas, sim, quando eu tomo consciência de que é por não ter esses reais que não posso, por exemplo, ir ao cinema – ou não consigo reencontrar a pessoa de quem me enamorei (como é o caso do filme); ou não consigo oferecer uma perspectiva de vida digna à pessoa amada; ou mesmo quando não consigo cobrir as despesas de um casamento no civil (como é a realidade de muitas famílias brasileiras).

Não é, então, por acaso que alguns se precipitam em buscar “soluções mágicas” e não é também por acaso que a Bíblia nos adverte de que “o amor ao dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé, e a si mesmos se atormentam com muitas dores.” (1 Timóteo6:10)

Jean Carlo Faustino – Sociologia / Unicamp