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Beleza brasileira.

Constrangido, assisti ao filme “Beleza Americana”. Durante toda a sessão, fui tomado pelo que se poderia chamar de “vergonha alheia”. Corei com a hipocrisia moral, a obsessão pelo sucesso e a disfuncionalidade familiar da sociedade americana. Constrangido, saí do cinema com um pontapé na boca do estômago.

Entretanto, o filme retrata um instante lindo. O adolescente viciado em maconha que trafica é obcecado por gravar imagens do cotidiano. Numa dessas filmagens ele capta um saco de lixo bailando ao vento e se deslumbra com aquela rara beleza. Só no final do filme, percebemos que o rapaz tinha um mínimo de coerência, já que só ele era sensível ao belo.

Há alguns meses, penso como seria a versão brasileira daquele filme. Começaria por denunciar as grandes hipocrisias nacionais tais como: a negação do racismo, a afirmação cínica de que somos um povo cordial, o desvairado sonho de nos tornarmos um “país do primeiro mundo”, a anacrônica vaidade de ainda possuirmos os mais verdes bosques do planeta. Nos últimos trinta anos, todo esse patriotismo vem ruindo diante do nosso olhar espantado.

A “Beleza Brasileira” vem sendo suplantada pelas penitenciárias desumanas, onde se depositam negros e pobres. As favelas cresceram e tornaram-se mais violentas, incubadoras da criminalidade. A Amazônia, gradativamente dizimada pela sanha comercial, arrefeceu com a poesia do hino que exalta o verde louro da flâmula. Todo rio, lago ou canal que banha alguma grande cidade está poluído; a baia da Guanabara, cartão-postal carioca, cheira mal.

O desemprego tornou-se endêmico. Nas emergências, os médicos precisam optar pelos doentes com uma mínima possibilidade de serem curados para deixarem os outros morrendo nos corredores. As estradas, verdadeiras armadilhas para a morte, continuam esburacadas. Viajar constitui-se em um tormento no Brasil.

Contudo, nesse cenário triste, o desafio é encontrar beleza. Se o rapaz do filme americano se encantou com um saco que bailava no ar, procuro me apaixonar por expressões de formosura latentes ao meu redor.

Existe beleza na persistência do operário que acorda de madrugada e pega o trem suburbano para bater o ponto às sete da manhã. Seu rosto, embora magro, revela obstinação; ele acredita que seus filhos terão um futuro diferente do seu. As boas maneiras da empregada doméstica que vive no barracão e serve no apartamento chique têm um quê de virtuoso. Emociono-me com o peão da construção que, de paletó e gravata, se transforma num eloqüente tribuno ao anunciar as alvíssaras do evangelho.

Existe beleza no trabalho voluntário dos leprosários, das enfermarias onde indigentes esperam que a morte os liberte do sofrimento, das clínicas de reabilitação onde crianças portadoras de deficiências aprendem a andar. Emociono-me até as lágrimas quando sei que algum coral cantou num centro geriátrico.

Existe beleza nos monturos de lixo, nos cortiços que se equilibram sobre córregos fétidos, nas escolas públicas rurais, no barco que desafia o vasto oceano. Basta ter olhos para ver as crianças jogando futebol em campos improvisados, ouvidos para escutar as conversas dos pescadores depois que puxam suas redes e coração para acompanhar o bê-á-bá da professora com seus alunos.

Precisamos ser invadidos pela beleza, cativados pelo inefável e dominados pelo sublime. Talvez, essa seja a última esperança da civilização: deixar que o belo encharque a nossa alma.

Há algum tempo, procuro tornar-me um garimpeiro dessas pepitas que sobraram do Éden, para descobrir o aceno do divino que habita nas pessoas e nos lugares o tempo todo.

Quando Deus contemplou sua criação e suspirou que era bom, notei que ele gosta de apreciar o branco dos lírios, o azul do céu e o negro da noite. Consigo também imaginar sua expressão quando afirmou que era tudo “muito bom”. Sei que ele celebra quando vê amigos se abraçando e fica muito feliz quando um jovem faz serenata para sua amada. Pelos relatos bíblicos sei que o Senhor gosta de poesia e de banquetes.

Em julho, chorei com a tragédia do avião que caiu em São Paulo. Sofri quando li as histórias das vidas ceifadas bruscamente. Lamentei pelos que sobraram em seus lutos. Chegaram a me oferecer fotografias dos corpos mutilados, mas recusei. Preferi concentrar meu olhar nos bombeiros que trabalhavam incansavelmente e nos médicos que se apressaram para salvar alguma vida.

Proponho que recuperemos nossa capacidade de celebrar alguns mínimos sinais de beleza, mesmo diante de uma realidade tão crua. Estou certo que testemunharemos muitos milagres.

Soli Deo Gloria.

Fonte: Ricardo Gondin

“TROPA DE ELITE” MUITO BURRA

O escrevo a seguir não será entendido hoje por mais de 90% dos meus leitores. De fato alguns são leitores, mas muitos ainda são Lei-tores. Entretanto, em alguns anos todos me compreenderão. Mas o preço hoje é a solidão.

Deixando para além da dúvida para os mal intencionados:

Sou contra as drogas, mas sou mais contra ainda aos meios de seu combate e às motivações de seu combate!

Portanto, apenas suponha:

“De hoje em diante Cerveja e Vinho são drogas” — decretam as autoridades.

Até mesmo vinho de ceia; até mesmo o suco da uva! Tudo está proibido!

Tomar a ceia com vinho ou seus derivados seria crime e ilegalidade em tal caso. A ceia seria uma contravenção.

Sim! De um dia para o outro; assim como foi quando bebida alcoólica era droga nos Estados Unidos e deixou de ser com uma Canetada legal.

Por quê?

Ora, em ambos os casos, tanto para tornar crime quanto para descriminar [na época da Lei Seca], aconteceu apenas em razão da Moral das elites e que é sempre o resultado de seus interesses, sejam econômicos ou apenas uma decisão segregatória — conforme aconteceu na América.

Sim! Tais leis [tipo a Lei Seca] acontecem apenas em razão da Moral, a qual, pela legalidade, se torna mais Moral ainda, e, portanto, cada vez mais legal…

Assim, bons lobbies e uma boa dose de Moralidade elitista, e qualquer coisa desinteressante para essa Moral passa a ser ilegal e vice versa.

Afinal, sempre se substitui uma Moral por outra Moral do modo mais irracional possível.

Isto é também parte do “curso deste mundo”, conforme Paulo.

Algodão já foi a “droga das roupas” por uma convenção americana, de natureza protecionista de seu mercado; posto que, não podendo competir com o algodão indiano, declarou-o ilegal nos States; e quem o comprava ou vendia algodão ia pra cadeia como um “traficante”.

Por quê?

Ora, é que a lã americana não podia competir com os tecidos de algodão da Índia [isto no início do século passado]. Desse modo o remédio era fazer algodão ser algo ilegal.

Apenas uma Canetada e o algodão virou droga.

Apenas a título de ilustração e jamais de apologia:

Até a década de 30 era permitido fumar maconha nos Estados Unidos. Fumava-se abertamente em todas as festas da elite em Nova York [na Europa Vitoriana também; e depois... do mesmo modo até o fim da II Guerra]. Mas como nos Estados Unidos [nova potencial mundial] surgiu a discriminação aos negros, e eram eles [os negros] que plantavam a maconha no campo e vendiam aos brancos, do dia para a noite, por força da perseguição racial, a plantação passou a ser crime.

E como todo crime que só é crime se for por decreto, a tendência, em tal caso, é fazer crescer o “proibido”; então o consumo cresceu na América e no mundo…

Para se compreender minimamente o que tento aqui expressar, é importante afirmar que existe diferença entre os mandamentos da Lei de Deus e os mandamentos das leis dos homens.

O ladrão que morria ao lado de Jesus pagou legalmente pelo que seus atos mereciam, embora, pelo arrependimento, tenha ido de condenado pelos homens a perdoado por Jesus direto para o Paraíso.

No caso de tal “malfeitor”, deu-se a César o que era de César [a lei e a ordem] e deu-se a Deus o que a Deus pertencia: o homem.

No caso em questão, provavelmente o “malfeitor” pagasse por crimes mesmo [morte, roubo ou qualquer delito real contra o próximo], e não por convenções meramente circunstanciais ou fruto de caprichos de uma elite.

Entretanto, no caso do “ladrão ao lado de Jesus”, ficou estabelecida a distinção entre a Lei operando socialmente para proteger os homens daqueles que são malfeitores, e, a possibilidade de que o condenado, mesmo pagando o que deve, o pague aos homens embora já esteja perdoado pelo Pai.

A Lei de Deus não salva ninguém espiritualmente [pois, por obras da Lei ninguém é justificado diante de Deus], mas sem ela a sociedade humana entra em caos total.

Sem honra aos pais as gerações apodrecem…

Sob o homicídio toda sociedade se torna diabo…

Sob a mentira, a falsificação, o estelionato e a falsa testemunha, toda sociedade já não sabe mais nada acerca da realidade… e serve à fantasia…

Sob o adultério, a traição e o engano, toda sociedade perece no desamor familiar e estende tal desamor para o todo da vida; pois, quem não ama o seus, a quem amará?…

Sob o roubo, o furto e a corrupção, toda sociedade se torna perversa e bandida; e a nossa é a prova cabal de que sendo assim tal processo é irreversível…

Os quatro primeiros mandamentos da Lei de Deus não têm aplicabilidade social exceto numa Teocracia [o que nada tem a ver com o Reino de Deus, que no coração]; e o último, “não cobiçarás”, pode apenas ser avaliado no próprio coração do cobiçoso.

Entretanto, dos mandamentos de Deus que são leis consensuais em praticamente todas as sociedades humanas, no Brasil quase nenhum deles carrega qualquer significado Moral atual; não para a elite…

Sim! Cada mandamento foi escrito como sendo algo que não se devia fazer “contra o próximo”. Entre nós, todavia, tudo isso perdeu o sentido… O que se tem que fazer é aprender a praticar sem que se seja flagrado…

O país é vitima de um monte de leis morais re-enforçadas pelas elites [mídia e formadores de opinião] e pelo sistema político, legal e policial; e tais leis e seus executores geram os piores males da nação; males piores do que “aquilo” que pelo uso de tais leis se pretende combater.

Se alguém soma o que se perde na corrupção governamental e legal [Executivo, Legislativo e Judiciário] e mais o que se gasta na repressão aos crimes de Canetada, e que são caprichos Morais — e se a tais somas se adiciona o imponderável: a perda de milhares e milhares de vidas humanas; e mais: o decreto de morte ou semi-morte aos órfãos e parentes de tais “vitimas” — logo se vê, pela soma de tais índices, que se gasta infinitamente mais em razão deles, do que qualquer que seja o significado do mal que o objeto reprimido possa causar em si mesmo à sociedade.

O drama que o filme Tropa de Elite nos apresenta é a expressão de um espírito suicida, burro, diabolicamente imbecil, e satanicamente homicida, o qual se torna guerra de decreto, sem que a ela corresponda nenhuma causa pela qual se deva guerrear.

Durante anos importantes no desenvolvimento do atual fenômeno narrado parcialmente no filme Tropa de Elite — vi para além de qualquer dúvida que pudesse depois restar em mim, que a guerra é de Caneta, e que seu gênio é a Moral das elites hipócritas, em razão de que o que se combate só se passou a combater por um preconceito racial americano, tornado lei mundial pelo poder econômico e militar da América Pós-Guerra; e que se tornou lei a ser cumprida por todas as nações “civilizadas” da terra.

Entretanto, antes de 1930 [e alguma coisa], não era assim nem mesmo na América do Norte, tendo se tornado isso em razão da perseguição aos negros — o que, pela alienação histórica, vai se projetando de geração a geração como se fosse mandamento divino…

O filme retrata a idiotice animada pelo inferno e que entre nós se tornou um câncer com metástase no corpo inteiro.

O que se gasta de energia, sangue, vidas e dinheiro para combater aquilo que foi condenado pela lei da Canetada [bem como o dinheiro que se desvia dentro do processo e fora dele como corrupção], não vale nem de longe a guerra imbecil que se propõe combater até a morte aquilo que mata menos do que a repressão feita em nome da vida e da ordem, a qual não apenas mata muito e muito, mas corrompe ainda mais…

E quem já viveu ali…, olhando de dentro da Polícia, apalpando seus intestinos; bem como vendo a partir do Estado, compondo seus quadros de avaliação do sistema; entrando em todo o sistema prisional e fazendo relações com os apenados e suas famílias; subindo os morros e favelas, entrando nas casas dos trabalhadores bem como na dos membros do “movimento” — sim! olhando a situação por várias perspectivas, e percebendo que seus tentáculos se esticam aos mais elevados níveis de poder; e mais: sabendo da história da proibição que hoje, sem se auto-explicar, tornou-se um Axioma Legal — não se tem como não dizer: TUDO ISSO É LOUCURA!

Segundo o filme, alguém bom tem que sofrer a lavagem cerebral do ódio a fim de poder ser o substituto de alguém bom que tem que viver como mal a fim de sobreviver até achar alguém que entre no processo para substituí-lo…

E para que isto aconteça a pessoa tem que se convencer que é mais importante salvar a Polícia para coibir o uso de qualquer que seja o produto ilícito, do que perguntar se aquilo tudo faz sentido.

“Ordem dada é ordem cumprida” — repete o policial corrupto e indiferente.

Assim, o filme da moda, o Tropa de Elite, foi visto por mim num ato de contravenção, mediante uma cópia pirata, e, de tal ilícito é que me arvoro a escrever sobre a proliferação do ilícito irracional, o qual, não é Lei de Deus, e não trabalha na direção dela, pois, para que alguém não se mate por vontade própria [o que é lícito; pois, não se diz “não te suicidarás”, mas sim “não matarás”] — mata-se muito mais do que os próprios suicidas dependentes de drogas químicas conseguem se matar; fazendo “eles” assim com que o remédio para matar barata seja uma bomba atômica; que não mata a barata, mas destrói tudo à sua volta; conforme se vê na insana luta contra as “drogas escolhidas” pela elite Moral para serem as “proibidas”, embora os proibidores consumam mais que todos os outros homens aquilo por eles “proibido”; enquanto financiam e demandam a morte daqueles que são seus “fornecedores”; os quais, para continuar fornecendo o ilícito têm que se armar até os dentes a fim de enfrentar a Polícia; a qual, usa tais “atravessadores ilegais” como os sustentadores do negócio policial da corrupção, na mesma medida em que a própria Polícia também se envolve com tudo mais que diga respeito à exacerbação do processo, criando um monstro que se alimenta de sua própria morte. De modo que quanto mais mata, à semelhança de um vampiro, mais se fortalece no espírito do ódio e da morte.

Ou seja: tudo isso é o diabo!

Indagado sobre isto por fariseus contemporâneos, Jesus diria: “Vocês sempre coam o mosquito e engolem o camelo!”.

Todo esse sistema tem sua cabeça no intestino grosso de um Estado sem consciência, e que importa Dejeto Legal como ouro Moral, apenas para passar por “civilizado” ante as elites suicidas e preconceituosas da Roma Moderna: a América do Norte.

Sim! É mais ridículo do que Corintiano matando pelo resultado do jogo de seu time.

Somente os cegados pela Moral burra e pelo preconceito, não enxergam que essa guerra é de Caneta, mas que as armas são de morte. E mais: que ela jamais terá fim; e cada vez mais será a Droga maior enquanto diz nos defender das drogas.

Se o Governo Brasileiro não tiver a coragem de tomar uma posição inteligente frente ao mal maior que se cria combatendo os inegáveis males das drogas pela via de um mal maior, apenas contaremos nossa história rumo ao abismo.

Isto não é profecia, é fato!

Somente a consciência pode parar o consumo de qualquer coisa, pois, não existe Lei contra o desejo de fugir ou de morrer. E essa é a pulsão que fomenta o uso de qualquer alterador de consciência; seja o álcool, seja a maconha, seja o pó e seus derivados diabólicos, ou sejam as drogas tarja preta, igualmente danosas e viciantes.

Esta é minha opinião, já expressa outras vezes neste site. Quem não concordar espere mais dez anos e releia o que escrevo hoje; e, antes de hoje, em centenas de textos desde 1992.

Nele, em Quem julgo falar com sensatez pela Vida, e isto em um mundo caído no qual quase sempre o melhor é apenas o menos ruim,

Caio

Um feedback

From: SOU POLICIAL E CONCORDO!

Acho que a pessoa que reproduz este sistema está na verdade vivendo seu inferno pessoal e querendo se justificar como boas ou espertas.

Tentam “curar” o próprio mal comendo fezes.

Se é que querem curar alguma coisa…

Acontece que se encarar frente-a-frente no espelho e admitir que é fraco, inseguro, mal amado, bobo, interesseiro, vingativo e que nada sabe — dói demais…

Assim, elabora-se um sistema de justificativa pessoal maligno para, no fundo, achar que se superou como pessoa, que consegue ganhar $inheiro, etc.

Mas o buraco só aumenta…

Essa análise é baseada em fatos reais-pessoais.

[8 anos de PM do DF e 2 anos na PMERJ]

_________________________________________

Resposta:

Amado amigo e irmão no Reino que é sobre toda Potestade: Graça e Paz!

Paulo nos diz em Romanos 13 que quando a autoridade é boa e promove o bem comum, ela é ministro de Deus, tanto para facilitar a vida, como também para tirar da sociedade os que existem contra o bem comum. Nesse caso, a autoridade tem que ser justa e imparcial a fim de ser ministro de Deus entre os homens. Neste caso, diz Paulo: “… faze o bem e dela terás louvor, faze o mal e terás a espada…”.

Entretanto, quando a autoridade se farda de oficialidade a fim de oprimir, expropriar, usar, abusar, tiranizar, matar e manter o povo em dependência e cativeiro [não importando a natureza do cativeiro], João nos diz no livro do Apocalipse [capítulo 13] que ela [a autoridade] se torna uma besta, o monstro que devora os homens e todo o fruto de seu trabalho.

Assim, a autoridade pode ser ministro de Deus ou a Besta do Inferno, dependendo de como ela procede. No 1º caso deve-se submeter à autoridade, mas no 2º caso se deve enfrentá-la.

Só não vê que o sistema que nos cerca [não apenas no Mundo, mas no País] é uma Grande Besta do Mal, aquele que faça tão profundamente parte da manutenção da perversidade implantada, que já não consiga ver a vida senão a partir do olhar do inferno.

De fato, estamos falando de uma Potestade espiritual. Sim! O sistema de Legislação, de Execução, de Repressão, e de morte, do lado da Polícia [que cumpre o papel final de Gourmet de excremento social]; e, de outro lado, o comercio da ilegalidade feita pelos traficantes e seus comandados, são o corpo objetivo desse drama. Entretanto, sobre ambos os lados existem os agentes de animação do fenômeno, a saber: os usuários, os meios de divulgação, os formadores de opinião, e os seres discursivos moralistas — essas forças, somadas, formam essa Besta, a qual, entre nós, na questão da violência relacionada ao tema do filme “Tropa de Elite”, tem a fisionomia que possui.

O moralismo católico e hoje também o evangélico [ambos são idênticos em quase tudo] impedem a discussão de qualquer tema que relativize dogmas morais.

Ora, acima desse poderes locais há ainda o Lobby Protestante que garante boa parte das políticas Americanas tanto de repressão como também de guerra à volta do globo desde o fim da 2ª Guerra — as quais dão as referências policiais para a nossa máquina de repressão.

Ora, na perspectiva da “religião moral” tudo o que seja acordo moral é dogma divino. E como a “religião” não se melhora em nada, mas prega que tem o poder de mudar o mundo e reorganizar a “Queda”, então, tudo o que não seja “ideal”, em razão de tal idéia deve ser imposto pela Lei; e, assim, como seria de se esperar, aumenta-se a compulsão do consumo do “proibido”.

A cegueira da “religião moral” faz a pessoa lutar pelo ideal enquanto vive no inferno, sem ter em si a idéia da Escalada.

Tal perspectiva deseja que o homem saia do caos [que os lutadores contra o caos não vencem nem mesmo em si próprios] para um patamar de perfeição da Nova Jerusalém por conta própria e subitamente [fruto de um pensamento “mágico”]; e, assim, impede o processo histórico e social que vai do inferno ao purgatório, do purgatório ao reformatório, do reformatório à liberdade assistida, da liberdade assistida à liberdade consciente; até que se chegue à maturidade social.

É o mesmo espírito que prefere não mandar usar camisinha, pois, se o fizer, supostamente está estimulando o “sexo fora do casamento”; e, em razão de tal silencio moral, abre o caminho para que o que seja feito [e sempre é], o seja sem cuidados e proteção. Por esta razão é que a hipocrisia que silencia temas da realidade é a maior promotora das desgraças que decorrem da ignorância e do desaviso.

Pelos contornos que vejo serem delineados à nossa volta, especialmente no que tange ao poder hipocrizante da religião, não vejo qualquer saída para o Brasil na questão da violência, pois, entre nós, já há muito que passou o tempo em que “repressões” poderiam coibir tais coisas.

Portanto, esse Brasil burro, passional e religioso que aí está, se drogará até a morte; e matará os que se drogam até que morram também os que matam; e apenas aumentará o problema pela tentativa louca de manter o Titanic flutuando em razão de que os crentes julgam que enfiando os dedos nos buracos do navio podem impedir o naufrágio.

A fim de melhorar uma sociedade caótica como a nossa, tem-se que começar do possível e não do impossível.

Ora, as leis de repressão de drogas em nosso país são tão burras quanto as leis comunistas que julgavam que poderiam gerar solidariedade por decreto.

Minha oração é que você encontre o caminho da justiça e da verdade nesse lugar no qual há muita gente boa vivendo ao lado de seres desalmados, como você bem sabe que hoje acontece aos montes na Polícia do Rio de Janeiro, e, de resto, em todo o país.

Receba meu beijo, carinho e orações!

Nele, que viu fé maior num centurião romano do que nos mestres da religião de Israel,

Caio

Fonte: CaioFabio.com

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